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Perdigões com o maior depósito de marfim PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por (ES)   
Quinta, 29 Julho 2010 02:33

altO Complexo Arqueológico dos Perdigões, localizado perto de Reguengos de Monsaraz, é o sítio em Portugal com o maior depósito de marfim, datado de há cerca de 5000 anos.

O arqueólogo António Valera, da empresa ERA – Arqueologia, que desde 1997 escava na Herdade dos Perdigões disse hoje em conferência de imprensa em Lisboa, que o povoado pré-histórico “é a vários níveis inédito”.
Relativamente ao marfim, foram já encontrados 300 registos referentes a diferentes objectos – estatuetas de animais, alfinetes, cabos -, cabendo agora apurar a sua origem.
O estudo destes artefactos encontrados está a ser feito por António Valera e por Thomas Schumacher, do Instituto Arqueológico Alemão de Madrid. Os arqueólogos pretendem apurar se o marfim é de mamute, já extinto nesta época, por volta do terceiro milénio antes de Cristo, de elefante africano ou o indiano.
Se for marfim de origem indiana, “evidencia a rede de contactos em que se integrava a Península Ibérica”, disse.
Outro facto que torna este povoado inédito é a arte que se praticava. Segundo Valera, os habitantes da região dos Perdigões “tinham uma arte realista, reproduzindo com grande exactidão, em tamanho pequeno animais, quando noutras comunidades predominava a arte esquemática”.
Outro facto impressionante é um fosso, que para ser feito obrigou à remoção de 55 toneladas de rocha.
“Como isto foi possível? Tal implica uma grande organização social, qual a logística, qual o suporte económico, tanto mais que tinham de escavar à mão ou apoiados por pedras, hastes de animais e pouco mais”, afirmou Valera.
O complexo de cerca de 16 hectares, geograficamente circular, está construído “com uma orientação astrológica e cosmológica. As portas do complexo localizadas a nordeste e a sudeste coincidem, respectivamente, com os solstícios de Verão e de Inverno.
Valera salientou hoje, na conferência de imprensa no Museu Nacional de Arqueologia, os conhecimentos desta civilização, da qual se sabe ainda pouco, apesar deste tipo de orientações arquitectónicas serem comuns na Europa.
O responsável da ERA, o arqueólogo Miguel Lago, referiu, por seu lado, o interesse em explorar nesta escavação um modelo que denominou de “arqueologia em construção” que está ainda a dar os primeiros passos".
“Este modelo consiste em não apresentar o trabalho após gerações de escavações, mas ir apresentando, e mostrando à comunidade como foi surgindo”, disse Miguel Lago.
O complexo dos Perdigões começou a ser escavado em 1997, depois da propriedade ter sido adquirida pela empresa de vinhos Esporão S.A. e terem sido encontrados vestígios arqueológicos que pararam o projectado cultivo de vinha.
Hoje a empresa estuda projectos que se possam desenvolver em paralelo com a arqueologia e procura parceiros para investir no modelo arqueológico, prevendo a realização de visitas guiadas e a construção de um centro de interpretação arqueológica.
O anúncio foi feito por João Roquette, presidente da Comissão Executiva do Esporão, e que disse à Lusa que a ideia está na fase de “esboço”, pois está a ser ainda elaborado um caderno de investimentos.
Cruzar a investigação arqueológica com o turismo, a gastronomia local e os vinhos é o projecto que pretende que o público em geral conheça mais e melhor o povoado calcolítico dos Perdigões, com cerca de 5000 anos.
(ES)

 

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